Paros, Grécia
- Ariana Veloso da Fonseca
- há 7 horas
- 9 min de leitura
Chegámos a Paros de ferry desde Míconos.
É uma das maiores ilhas do arquipélago das Cíclades e, apesar de começar a ganhar alguma fama, ainda é uma das ilhas da Grécia mais sossegadas. É, sobretudo, frequentada por muitos gregos de férias ou visitantes que procuram conhecer um lado mais autêntico do país.
Tal como Míconos, ao longo da história, Paros foi conquistada por várias civilizações e viveu períodos de grande prosperidade.
Apanhámos um táxi junto ao porto para o norte da ilha, onde nos alojávamos.
Ao atravessar Naoussa imediatamente nos apercebemos que tínhamos chegado a um lugar muito especial. Esta cidade ainda mantém a essência de uma aldeia de pescadores. Impõe-nos um ritmo pausado e uma calma imperturbável.
Era hora de almoço e procurámos uma mesa nos diversos restaurantes à beira do velho porto, praticamente vazios àquela hora. A animação chega mais tarde, ao final do dia, quando os turistas regressam das praias espalhadas pela ilha.
Procurámos por um restaurante local, aquele com o menu escrito à mão com giz numa ardósia, com dois ou três pratos, dependendo do peixe disponível. Encontrámos o Mediterraneo e a esplanada revelou-se o local perfeito para observar a vida quotidiana de Naoussa.
Pescadores limpavam o lodo verde-escuro colado ao casco dos barcos e reparavam redes.
Estas tarefas no porto entretiveram-nos um bom bocado, enquanto saboreávamos mexilhões cozidos ao vapor acompanhados com batatas fritas e robalo grelhado com risoto de pesto e courgette.
Cheirava a musgo, a algas e à brisa salina. As gaivotas sobrevoavam a marina, grasnando.
Passámos a tarde na diminuta praia Piperi, onde famílias locais com crianças brincavam na maré vazia e jovens, já em férias escolares, jogavam à bola.




A gastronomia na Grécia é algo que invade a viagem e nos garante um bem-estar e uma felicidade genuína quando se aproximam as horas das refeições. É impossível falhar.
Aqui, qualquer restaurante serve pão, azeite e azeitonas, queijo, fruta... Soa-vos familiar? São os pilares da dieta mediterrânica. A influência oriental está presente no uso das especiarias, para condimentar a carne, e nas sobremesas, pelo uso da massa folhada, de frutos secos, figos e alperces. Adicionalmente, a gastronomia grega tem bases solidamente enraizadas em receitas ancestrais e na excelente matéria-prima.
Se comemos bem em Míconos, Paros conseguiu superar pelo simples facto de, aqui, os empregados de mesa perderem o seu tempo a dar recomendações, a falar dos produtos e a fazer pequenas confissões sobre a vida na ilha.
Fomos jantar ao Safran por sugestão da rececionista do nosso hotel. O Cristian, o rapaz que nos serviu, aconselhou-nos a provar sea urchins, em inglês. A nossa cara de estranheza não o surpreendeu e repetiu a palavra em francês, espanhol, italiano, alemão e sueco, até que nós percebemos: ouriço do mar!
Nascido e criado em Naoussa, o Cristian contou-nos que, num dia de praia com a família, é comum apanharem ouriços e comê-los frescos, ali mesmo. Explicou-nos que é uma iguaria que ou se ama ou se odeia. Nós decidimos provar e, no final da refeição, ele já tinha memorizado a palavra em português.
Os vinhos locais maridavam na perfeição com os nossos jantares. Segundo investigámos, as vinhas da casta monemvasia crescem rasteiras junto ao solo por causa do vento, absorvem apenas o orvalho da manhã e dão origem a um vinho branco seco magnífico.




Com um litoral protagonizado por praias incríveis banhadas por águas turquesa e ciano, foi fácil saber como aproveitar o nosso tempo na ilha.
A fina areia dourada estende-se pelo litoral e as enseadas são delimitadas por arbustos rasteiros e zimbros. Há ainda pequenas calas interligadas por trilhos costeiros que conduzem a piscinas naturais esculpidas pelo mar.
Chegámos cedo à praia de Ampelas para ali passar o dia. O mar era de uma claridade impossível, a água brilhava como a superfície de um diamante.
Depois de vários mergulhos, o sol inclemente do meio-dia levou-nos a procurar refúgio numa esplanada um pouco mais afastada da praia, mas com uma vista imbatível. Éramos os únicos clientes e almoçámos à sombra de zimbros e ao som do estridular dos grilos.
Regressámos cedo ao hotel, o objetivo era ir jantar à capital da ilha, e encontrar um local onde pudéssemos ver o pôr-do-sol.
Passeámos pelas ruas românticas de Parikía, o cheiro a mar infiltra-se pelas ruelas cheias de boutiques de artesanato e bugigangas.
Deparámo-nos com a igreja Panagia Ekatontapyliani, considerada um dos locais sagrados mais importantes da Grécia e a igreja bizantina mais antiga do país. A decoração austera é típica das igrejas ortodoxas, um forte cheiro a incenso asfixia o ambiente e diferentes ícones e imagens de santos adornam as paredes e os altares, ao fundo, ouvia-se um cântico compassado e profundo.
O nome da igreja, Nossa Senhora das Cem Portas, refere-se à crença que no complexo existem 99 portas visíveis, havendo uma secreta que só se abrirá quando a Hagia Sofia de Constantinopla voltar a ser uma igreja ortodoxa.
Encontrámos um restaurante de sushi com cocktails mesmo a tempo de ver o sol desaparecer no horizonte e a luz mudar em questão de minutos. O vermelho intenso diluiu-se no céu púrpura e alaranjado do fim de tarde.




No nosso último dia em Paros, fomos descobrir mais praias paradisíacas.
Ao final da tarde, foi difícil convencer o meu namorado a abandonar a Golden Beach para irmos visitar a antiga capital de Paros, por onde ainda passa uma estrada bizantina.
O interior montanhoso da ilha, coberto por oliveiras centenárias e bosques de pinheiros e carvalhos, esconde as aldeias de Marpissa e Prodromos. Caminhámos sem pressa pelas ruas empedradas e totalmente pedonais. As casas rasteirinhas são de um branco reluzente e têm bancos exteriores incrustados, onde os habitantes se sentavam à conversa.
Bandeirinhas coloridas atravessavam as praças, as portas das igrejas estavam abertas, as buganvílias, jasmins e madressilvas floriam nas esquinas e cobriam os pátios. As aldeias estavam em festa!
Seguimos para Lefkes, quase de noite, atravessámos largos repletos de tabernas e ruas com lojinhas de cerâmica e bijuteria até chegar à imponente Igreja da Santíssima Trindade.
A igreja destoa das construções caiadas de branco. Também ela é branca, contudo foi construída num mármore quase transparente onde se revelam apenas algumas veias. O mármore da sua construção foi extraído das pedreiras locais. Na antiguidade, o mármore de Paros era muito procurado e algumas das obras-primas da escultura grega clássica foram feitas com este material branco puro e translúcido, como a Vénus de Milo ou a Vitória de Samotrácia, hoje expostas no Museu do Louvre, em Paris.
Dos miradouros, pudemos observar a ilha vizinha, Naxos.
Terminámos as férias com um jantar no Barbarossa, iluminado pelas luzinhas penduradas de uma ponta à outra da esplanada debaixo do céu das Cíclades. A energia é contagiante e à medida que avança a noite, o ambiente vai animando progressivamente.
A Grécia desenha-se no horizonte como um destino criado à base de lendas e pensado para filósofos e artistas que sabiam apreciar os prazeres da vida.
Fomos à procura de um lugar bucólico do Mediterrâneo para descansar e encontrámo-lo. O mar como cenário de fundo em todos os momentos, os infindáveis mergulhos em águas cristalinas, os almoços tardios e o sol a servir de bússola completaram a nossa semana na Grécia.
No entanto, ainda ficou tanto por descobrir neste país. Esta é a história de uma viagem que ainda não terminou.
Como chegar | How to get there
De Míconos para Paros fomos num ferry da SeaJets, mas há várias companhias a operar esta rota. A viagem dura 45 minutos.
Como se deslocar | How to move around
Também em Paros, o preço dos Ubers e táxis ronda os 35/40€. Apanhámos um desde o porto até Naoussa e para regressar. Alugámos uma scooter perto do hotel para nos deslocarmos pela ilha.
Onde dormir | Where to sleep
Nauma Paros este pequeno hotel boutique na cidade de Naoussa abriu em junho de 2025. A decoração é muito bonita, as paredes bordeaux e bege contrastam com o verde das plantas e catos que crescem em grandes vasos de barro nos pátios. Tem uma pequena piscina com espreguiçadeiras que são autênticos sofás de tão confortáveis. Cada manhã, a chef de cozinha explicava-nos quais os pratos quentes e doces que tinha confecionado para o pequeno-almoço, que variavam todos os dias. www.naumahotel.com/
Onde comer | Where to eat
Mediterraneo localizado com vista para o porto de Naoussa. Este restaurante prima pelas influências francesas. mediterraneo-paros.gr/
Safran no centro da cidade de Naoussa. O peixe fresco exposto na montra serve-se ao quilo. Provámos ouriço do mar, os croquetes de feta e partilhámos o ceviche com flores comestíveis e, de sobremesa, uma desconstrução de tiramisu de lima e hortelã. www.instagram.com/safranparos/
Sante Cocktail Bar um pequeno bar com esplanada que serve cocktails deliciosos. Provei vodka com lemon curd. Oferecem pipocas com a bebida.
Rebel Beach Bar escolhemos este bar na Golden Beach entre as diversas opções que populam o areal. Salada, tacos e uma bowl de açaí foi o almoço perfeito para mais um dia de praia. rebelbeachbar.gr/
Yemeni numa rua pedonal muito estreita e com uma esplanada reduzida, este restaurante preza pelos vegetais e frutos locais e de temporada livres de pesticidas e químicos. Partilhámos a massa de marisco e estava deliciosa. www.instagram.com/yemeni.paros/
Kedros este restaurante à beira-mar na zona de Ampelas, a este de Paros, serviu-nos um almoço maravilhoso composto por polvo grelhado com vinagrete de menta e camarões saganaki, servidos com molho de tomate, queijo feta e orégãos. www.kedrosparos.gr/
Bebop x Joomla na capital da ilha, encontrámos este restaurante com uma esplanada perfeita para ver o pôr-do-sol, comer sushi e beber cocktails ao som de boa música. www.instagram.com/bebop_x_joomla/
Faragas numa das praias mais exclusivas de Paros, almoçámos neste bar de praia nuns puffs na areia e debaixo das árvores. Comemos a club sandwich e a salada grega ntakos, com tomate, queijo de Paros e alcaparras www.faragas-beach.gr/
Barbarossa para a nossa última noite em Paros, reservámos este restaurante especial. A montra de marisco é impressionante. De entrada, provámos ostras abertas e preparadas ao momento por uma simpática rapariga que carrega um balde à cintura, uma luva de malha de aço e uma faca. Enquanto temperava as ostras com molho de azeite, pimenta, vinagre e açafrão, contou que trabalha ali durante dois meses sem folgas. Como prato principal comemos uma massa de garoupa e outra de camarão, acompanhadas por vinho branco local bem fresco. Convém reservar com antecedência. www.barbarossarestaurant.com/
Souvlakia Kargas um restaurante simples, numa transitada rua de Naoussa, ideal para provar o tradicional kebab grego de carne de vaca ou de frango com batatas fritas.
Solo Gelato despedimo-nos da Grécia com um gelado no centro de Naoussa. www.instagram.com/solo_gelato/
O que visitar | What to visit
Naoussa é uma vila de pescadores encantadora no nordeste da ilha de Paros. Foi fundada por venezianos no século XIV. Ainda é possível observar parte do forte construído na mesma época, junto ao porto. As construções refletem o estilo e as cores características das ilhas Cíclades.
Praia Piperi a praia urbana de Naoussa, ficava perto do nosso hotel. É frequentada, na grande maioria, por moradores locais.
Golden Beach um dos areais mais extensos e dourados de Paros. Esta praia permitiu-nos dar longos passeios à beira-mar. Tem escolas para a prática de desportos aquáticos. Várias velas de kitesurf e pranchas de paddle surf pontilhavam o mar calmo e azul.
Marpissa e Prodromos são duas povoações a 19 quilómetros da capital, Parikía. Parecem detidas no tempo e dão-nos um vislumbre de uma vida relaxada e simples.
Lefkes uma cidade tradicional situa-se no meio de colinas e foi a capital de Paros durante a Idade Média. Aqui começa o Trilho da Estrada Bizantina, uma agradável caminhada de uma hora e meia pela estrada desse mesmo período pavimentada com o mármore da ilha entre oliveiras e arbustos aromáticos de alecrim e tomilho.
Parikía é a capital da ilha. Não tem mais de 3.000 habitantes, mas é o centro comercial e cultural de Paros. Foi construída ao redor do seu porto natural, como se de um anfiteatro se tratasse.
Igreja Panagia Ekatontapyliani em Parikía, é um dos maiores complexos de templos ortodoxos das ilhas do mar Egeu e um importante centro de peregrinação mariana, com construções datadas do século VI e VII e do período pós-bizantino.
Templo Arcaico de Atena em Parikía do século VI antes de Cristo, dedicado à Deusa Atena, padroeira de Paros. Apenas perdurou uma parte do templo que foi integrado na igreja de Santo Constantino e Helena e na fortaleza medieval de 1260.
Ampelas uma pequena praia com a água mais transparente que alguma vez vi. Tem um porto com barcos de pesca e iates perto e há vários restaurantes na zona.
Praia Faragas uma das praias mais exclusivas de Paros, com beach clubs com música, guarda-sóis de linho e um infinito mar azul. A água é tão clara que, quando abria os olhos debaixo de água, parecia que estava numa piscina.
Onde comprar | Where to shop
Centro de Naoussa ou de Parikía estão repletos de lojinhas de bijuteria, lenços, chapéus, sacos de praia e roupa fluida e descontraída de ares mediterrânicos para usar nas férias.
Aqui está o mapa com todos os locais mencionados no post:



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