Míconos, Grécia
- Ariana Veloso da Fonseca
- há 4 dias
- 7 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
Conciliar agendas, vontades e expectativas nem sempre é fácil e um impulso por sol, praia e mar levou-nos a reservar bilhetes de avião para a Grécia.
Desde que estudei os grandes clássicos de Homero, a Odisseia e a Ilídia, na Universidade, que sonhava em visitar o berço da civilização ocidental. Contudo, a Grécia é composta por 1.200 ilhas, 227 dais quais são habitadas.
É impossível condensar a dimensão do país numa só visita, principalmente para alguém como eu que procura absorver todos os detalhes sobre a mitologia, explorar os templos dedicados aos deuses do Olimpo e impregnar-me com a história da Grécia Antiga.
Mas essa viagem terá de aguardar. Estas férias em Míconos e Paros serviram apenas para relaxar, comer bem e disfrutar do melhor do Mediterrâneo.
Estas duas ilhas localizam-se no centro do mar Egeu e fazem parte das ilhas Cíclades.
São habitadas há milhares de anos, mas foi no século XX que começaram a despertar o interesse de escritores e celebridades internacionais que se apaixonaram por estas paragens solarengas de paisagens vulcânicas, rochosas e construções em branco cal.
"It takes a lifetime for someone to discover Greece, but it only takes an instant to fall in love with her."
The Colossus of Maroussi, Henry Miller, 1941
Chegámos a Míconos ao final do dia, jantámos perto do hotel e fomos dormir sem imaginar o paraíso onde nos encontrávamos.
No dia seguinte, a brisa cálida entrava pelas janelas, movendo as cortinas de linho e o som do mar preenchia todo o espaço. O pequeno-almoço foi servido no terraço aberto para o campo árido com o mar ao fundo.
A primeira tarefa do dia foi alugar uma scooter. As ruas estreitas e incertas e a falta de estacionamento, levou-nos a optar por este transporte, o mais prático para vaguear pela costa da ilha.
Míconos é uma ilha de pouco mais de dez mil habitantes e grande parte da população concentra-se na capital, Chora. Associada às heroicas batalhas de Hércules contra Gigantes, foi habitada por fenícios, jónicos, romanos e bizantinos que proteram a ilha de ataques de piratas. Contudo, a capital só foi fundada no século XIV pela família veneziana que controlava a ilha na época. O corsário turco Barbarossa, sob as ordens de Salomão, o Magnífico, destruiu Míconos em 1537 e permaneceu sob domínio otomano até 1821.
Enquanto ladeávamos a costa, os vestígios de um passado glorioso salpicavam a paisagem.




Priorizámos sempre as praias do sul da ilha, menos ventosas, mas também mais concorridas. Logo no primeiro dia, visitámos várias praias seguidas: Ornos, Psarou, Platis Gialos e Super Paradise. O meu entusiasmo não me permitia ficar muito tempo deitada ao sol, tal era a ânsia de descobrir as diferentes enseadas de Míconos.
O mar é sem dúvida o maior tesouro da ilha. Tínhamos dificuldade em absorver o que estávamos a presenciar. Entre areais maiores ou mais reduzidos, surgia um mar de um tom turquesa tão intenso como apetecível.
A ausência de ondas e a transparência das águas permitia ver o fundo do mar, mesmo quando nadámos vários metros, e as embarcações, que pontilhavam a costa, pareciam pairar no ar.
Ao final do dia, aproximámo-nos do beach club Tropicana, mas os elevados decibéis da música eletrónica e a longa fila cheia de jovens perfumados demoveram-nos e preferimos sentarmo-nos no bar contínuo onde, com uma bebida fresca na mão, vimos o entardecer.
Aqui eleva-se o conceito de bar de praia a outro nível. As espreguiçadeiras são autênticos sofás, os guarda-sóis de palhinha foram substituídos pelo linho branco, DJs reconhecidos põem música a toda a hora e iates de luxo estão estacionados a poucos metros da costa. O encanto boémio de Míconos dos anos 60 não se desvaneceu, mas elevou-se para uma opulência desbordante.

Nos dias que se seguiram, refugiámo-nos nas praias Kalafati e Agrari, longe da capital, mais tranquilas e com um extenso areal.
Para lá chegar, atravessámos paisagens quase desérticas, com uma vegetação rasteira ou praticamente inexistente. Uma fina camada de poeira cintilava no horizonte. As estradas eram estreitas, por vezes íngremes e sinuosas. No entanto, ao contornar uma curva, tínhamos a nossa recompensa. Uma vez mais, o mar surgia e tudo ganhava sentido.
Entre banhos e mergulhos, em águas que variam entre o forte azul-celeste e o verde-esmeralda brilhante, parávamos para almoçar nos psarotavernas, os restaurantes de praia que servem aperitivos leves, saladas frescas com queijo feta e peixe grelhado. Os dias transcorriam lânguidos.
No regresso, parámos numa pequena aldeia do interior. Ano Mera é um respiro de calma e tranquilidade no meio da agitada ilha. A vida concentra-se nas esplanadas dos cafés, nos pequenos estúdios de artesãos e nas tabernas de comida típica. As figueiras desprendiam um forte aroma.
Alguns gatos saíram da sombra e vieram cumprimentar-nos. São donos e senhores da aldeia e mimados por todos. Dormem nas pedras aquecidas pelo sol e miam debaixo das mesas das tabernas, esperando um gesto generoso.




As noites foram passadas a explorar as ruas labirínticas da capital, enquanto procurávamos um restaurante para jantar. Em cada praça, surge uma buganvília com as suas exuberantes flores cor-de-rosa a contrastar com as casas caiadas de branco e as portas azuis-turquesa. Estes elementos compõem um cenário utópico emoldurado pelo Mar Egeu.
Um destes passeios levou-nos até aos Moinhos de Míconos, um dos locais mais reconhecidos do bairro do Castro. Sete moinhos de vento, redondos e com telhados de palha, enfrentam os ventos vindos do mar. Foram reconstruídos e alguns são habitados.
Terminávamos no pitoresco bairro Alefkandra, conhecido como Little Venice. Em meados do século XVIII, comerciantes abastados e capitães de navios construíram as suas mansões com as varandas vermelhas e azuis literalmente em cima do mar. Agora, é o bairro dos artistas por excelência, que expõem em galerias locais abertas até altas horas. Por aqui, prevalecem os bares de cocktails e as noites em Chora perlongavam-se até de madrugada.




Depois de três dias intensos e cheios de estímulos, apanhámos um ferry até Paros. O roteiro será publicado em breve.
Como chegar | How to get there
Fomos de avião para o Míconos de Madrid com a Iberia. O voo dura aproximadamente 3.30h. Desde Portugal, não há voos diretos.
Como se deslocar | How to move around
No aeroporto de Míconos pedimos um Uber, o preço está tabelado em 40€, quer a viagem seja longa ou curta. Nos restantes dias, alugámos scooters para percorrer a ilha.
Onde dormir | Where to sleep
Athera Suites Mykonos localizado a 20 minutos a pé do centro, este hotel foi ideal para descansar longe do burburinho e agitação dos locais mais turísticos. Usufruímos de um pequeno-almoço com vista para o antigo porto de Míconos e de longos mergulhos na piscina. https://www.atherasuites.gr/location
Onde comer | Where to eat
Apaggio encontra-se a cinco minutos de mota da Praia Ornos, ao lado de um pequeno porto, onde os barcos flutuavam sob água muito cristalina. Peixes miudinhos aproximavam-se da esplanada para devorar os pedaços de pão pita que os empregados de mesa lhes atiravam. A decoração é relaxada, com cadeiras e candeeiros de palha. Pedimos a famosa salada grega e polvo com batata-doce para partilhar. https://apaggio.gr/
Tropicana um dos mais famosos beach clubs da ilha. Ao final do dia, grupos de jovens reúnem-se aqui para uma longa noite de música à beira-mar. https://www.tropicanamykonos.com/
Baladaya mesmo ao lado do Tropicana, encontra-se este restaurante de praia, bem mais calmo, com uma decoração tribal e sofisticada. https://www.baladayamykonos.com/
Familia um restaurante que serve uma fusão entre a cozinha grega e a italiana. Jantámos num pátio sossegado rodeados de árvores. Pedimos a quiche de espinafres de entrada e, como prato principal, comemos robalo com erva-doce caramelizada e molho de laranja, acompanhado por um vinho branco grego. De sobremesa, provámos o cheesecake com molho de chocolate e coulis de frutos vermelhos. O staff era muito atencioso. https://www.familiamykonos.gr/
Petrino Aquarius um agradável restaurante ao lado da Praia Kalafati. Foi o ideal para comer uma salada fresca e um peixe grelhado a meio de um dia de praia. https://www.facebook.com/profile.php?id=100064068249124#
Interni o restaurante que define a vida noturna de Míconos. Os jantares são servidos tardiamente para se aproveitar a festa pela noite dentro, onde se dança em cima das cadeiras ao som dos sets animados dos DJs. Convém reservar com antecedência e é preciso pagar uma taxa de reserva de 50€ por pessoa. https://internirestaurant.com/
Agrari Beach Bar localizado na praia com o mesmo nome, este restaurante oferece refeições ligeiras para usufruir na esplanada com os pés na areia. https://agraribeach.gr/
La Petite Taverne Metropole no meio das labirínticas ruas do bairro Little Vanice, encontrámos este restaurante com uma decoração acolhedora de casa típica grega, mas com apontamentos modernos. Esta combinação também se refletia nos pratos: comida tradicional com um twist moderno. De entrada, partilhámos queijo ladotyri no forno com pão pita e jantámos massa orzo com camarão e a famosa moussaka. https://lapetitetaverne.gr/
Snow Gelato usando ingredientes frescos e locais, esta pequena gelataria é ideal para saborear um refrescante gelado nas noites quentes de verão. https://www.snowgelato.gr/
O que visitar | What to visit
Chora a capital de Míconos parece um postal. As casas caiadas de branco contrastam com o azul-turquesa das portas e janelas. Há lojas de souvenirs, muitos restaurantes e cafés sofisticados. A igreja ortodoxa Panagia Paraportiani reflete o estilo medieval das Cíclades e encontra-se ao lado antigo Castro.
Praia de Ornos uma pequena praia perto da capital e, por conseguinte, mais movimentada. Muito perto, há um pequeno porto de pescadores com restaurantes.
Praia Psarou a praia mais exclusiva de Míconos, onde um guarda-sol com duas espreguiçadeiras custa no mínimo 360€. Fica ao lado do centro comercial de luxo ao ar livre Nammos Village.
Praia Platis Gialos uma praia numa pequena baía, com um espaço bastante reduzido para estender a toalha, a cinco quilómetros da capital.
Praia Super Paradise uma das praias mais conhecidas devido ao famoso beach club Tropicana. Fica a 6.5 quilómetros de Chora.
Praia Kalafati mais distante da capital e com um extenso areal, esta praia é bem mais relaxada. Alugámos uma espreguiçadeira e passámos aqui o dia. Tem várias zonas onde é possível estender a toalha no areal.
Ano Mera a oito quilómetros de Chora, no interior da ilha, encontra-se esta pequena aldeia. É famosa pelo Panagia Turliani, o Mosteiro de Santa Maria, construído em mármore branco.
Praia Agrari o acesso não é fácil, devido às estradas estreitas e com muitas curvas, mas é um autêntico paraíso de águas transparentes. A rodear todo o areal há penhascos onde nos aventurámos numa pequena caminhada.
Onde comprar | Where to shop
Nammos Village um conjunto de casas típicas de Míconos e jardins labirínticos compõem este centro comercial, onde as grandes casas de luxo estão presentes: Chanel, Hermès, Louis Vuitton, Loewe, YSL, etc. https://www.nammosvillage.com/
Aqui está o mapa com todos os locais mencionados no post: