Costa Vicentina, Portugal

Atualizado: 12 de jan. de 2021

Duvidei muito sobre publicar este roteiro. Preferia não partilhar este lugar com ninguém, guardá-lo só para mim. Mas este lugar não me pertence, pertence à sua gente, aos seus habitantes, hospitaleiros e simpáticos, que merecem a visita de todos.


Estendendo-se ao longo de mais de 100 kms de costa, desde São Torpes no Alentejo, até praia de Burgau no Algarve, o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina é o fragmento de litoral mais bem preservado da Europa.


Praia do Amado em Portugal

Organizei esta viagem com as minhas amigas Mariana, Patrícia e Raquel num verão que se adivinhava tórrido e implacável. As águas frias do Atlântico pareceram-nos o melhor local para nos refugiarmos durante uma semana.


Fiz uma pesquisa exaustiva das melhores praias, das aldeias mais pitorescas para nos hospedarmos e dos restaurantes menos turísticos. Foi em vão. Por aqui nem o Google Maps vos sabe indicar o caminho, têm de perguntar aos senhores sentados no banquinho de jardim ou no café da vila. Não há melhor indicação do que a que os habitantes locais vos podem dar.



O panorama geral desta zona inclui arribas íngremes e verticais, com muita vegetação, extensos areais dourados e um mar revolto azul profundo. Mas a presença humana também se afirma através de ruínas de fortes e castelos, memórias dos namoros proibidos entre vizires e moçárabes e dos assaltos de piratas vindos do norte de África.


Iniciámos a rota vicentina em Porto Covo, uma aldeia alentejana a 2h de Lisboa. A primeira paragem incluiu uma sucessão de pequenas praias interligadas entre si quando a maré recua.


Ao final do dia, sempre com despenhadeiros acentuados ao nosso lado, fizemos uma caminhada desde a vila de Porto Covo até avistarmos a ilha do Pessegueiro.

Em baixo fogos trémulos nas tendas Ao largo as águas brilham como pratas E a brisa vai contando velhas lendas De portos e baías de piratas


Havia um pessegueiro na ilha Plantado por um Vizir de Odemira Que dizem que por amor se matou novo Aqui, no lugar de Porto Covo

Rui Veloso, 1987



No dia seguinte fomos para Vila Nova de Mil Fontes à procura da praia do Patacho, também conhecida como a praia do Barco Encalhado, uma embarcação que naufragou e ficou esquecida na costa. Dá um ar misterioso e sombrio à praia totalmente deserta.


Em Almograve, aventurámo-nos à procura da praia do Brejo Largo, prometeram-nos uma caminhada “valente” para lá chegar. Não nos assustaram e aí fomos, 4 km até lá chegar e outros 4 para voltar.


A paisagem é deslumbrante, não há ninguém, é tudo naturalmente bonito. A vida marinha toma conta deste lugar, por isso os passeios à beira mar revelaram-se uma verdadeira caça ao tesouro de conchas, búzios e lapas multicolores. O regresso à aldeia foi mais doloroso, parte do trilho costeiro é feito em areia fina.


Na Zambujeira do Mar, a praia da Nossa Senhora foi a mais bonita que encontrámos. É pequenina e protegida por falésias de xisto. A minha amiga Rita, de Odemira, juntou-se a nós para uma tarde de muito vólei, risos e mergulhos.



Saímos do território alentejano do parque e entrámos no Algarve. A paisagem muda, as formações rochosas na costa dão lugar a longas enseadas e praias de areia sedosa.


Passámos um dos dias mais quentes na praia de Odeceixe, fomos ao bar da praia comer um gelado e caminhámos pela língua de areia que separa a água do mar do riacho de água doce que ali desagua.


Parámos em Aljezur, uma pequena vila com as características casas rurais algarvias, em que as molduras coloridas das portas e janelas contrastam com a fachada branca das casas.


Na praia da Arrifana, testámos a nossa concentração e paciência com as construções de land art: a arte de empilhar pedrinhas e seixos, formar torres e desafiar a gravidade, numa constante competição silenciosa contra os viajantes que nos precederam.


Na última noite, decidimos completar a rota descendo até Sagres. Encontrámos uma rua cheia de bares com música ao vivo.


Terminámos assim a nossa viagem e passámos uma semana de pura felicidade. Rimos muito, mergulhámos em águas profundas, caminhámos por praias desertas, comemos comida autêntica, conhecemos gente genuína.



 

Como chegar How to get there

Nós partimos de carro desde Lisboa até Porto Covo. Também há autocarros da Rede Expressos, demoram 2.30h.

Como se deslocar How to move around

É possível percorrer a Costa Vicentina a pé, de bicicleta ou de carro/mota. Há dois percursos: o Caminho Histórico, pelo interior rural, passando pelas aldeias e vilas, ou pelo Trilho dos Pescadores, sempre junto ao mar, seguindo os caminhos usados pelos pescadores para chegar às praias. Todas as etapas da rota estão muito bem sinalizadas. Nós fomos de carro, mas incluímos na viagem pequenos troços do Trilho dos Pescadores e alguns percursos circulares.

Onde dormir Where to sleep

Ahoy Porto Covo Hostel ficámos uma noite neste pequeno hostel, uma casinha que passa despercebida por fora, mas que o terraço do primeiro andar fez das nossas refeições momentos únicos. https://ahoyportocovohostel.com/


Odeceixe Hostel um pequeno hostel no centro da aldeia, a atenção e o serviço da Magda, a nossa host, foram impecáveis: trazia-nos pão alentejano fresco todas as manhãs para o pequeno almoço. https://www.odeceixehostel.com/pt-pt


Hostel do Mar na Carrapateira, um surf hostel com muito bom ambiente no centro da aldeia. Tínhamos um quarto enorme para as quatro. https://hosteldomar.com/

Onde comer Where to eat

O peixe, o marisco e o polvo são as grandes atrações gastronómicas desta região. Encontram-nos frescos em todos os restaurantes, garantidamente. A batata-doce proveniente de Aljezur, é o tubérculo de excelência e acompanha qualquer prato. A escolha dos vinhos é fácil, têm de ser alentejanos. Para terminar, provem um cálice de aguardente de medronho produzido localmente.

O que visitar What to visit

No Alentejo

Antes de Porto Covo, há várias praias pequeninas, de fácil acesso e não vigiadas, umas a seguir às outras separadas por enormes arribas. Quando a maré está baixa conseguem passar a pé de umas para as outras. Nós ficámos na praia Cerca Nova. A praia do Salto é naturista.


Praia dos Buizinhos na aldeia de Porto Covo, é bastante pequenina e mais concorrida que as outras.


Ilha do Pessegueiro saindo de Porto Covo, fizemos uma pequena parte do Trilho dos Pescadores até avistar a ilha (3km/40min). Durante o verão, há visitas guiadas à ilha.


Praia do Patacho/Barco Encalhado em Vila Nova de Mil Fontes, uma praia rochosa e de difícil acesso, não vigiada. Uma embarcação holandesa, com destino a Portimão, ficou atascada nesta praia em 1996 e, à boa moda portuguesa, ninguém se entendeu com o que fazer ao barco, então ali está, até hoje, a gigante carcaça a contrastar com a paisagem natural.


Praia das Furnas na margem sul de Vila Nova de Mil Fontes, tem um areal extenso e é vigiada.


Dunas do Almograve é o percurso circular do Trilho dos Pescadores de 8 km. Metade da caminhada é feita pelo interior no meio de bosques com sombras e campos lavrados, a outra metade é por dunas de areia fina junto à costa. As paisagens são espetaculares. Requer calçado adequado para caminhar. https://rotavicentina.com/trilhos/dunas-do-almograve/


Praia do Brejo Largo é a nossa praia favorita. O trilho das Dunas do Almograve passa por aqui. Estava praticamente deserta porque o acesso é bastante difícil, desce-se por uma ribanceira apenas apoiados numa corda. Não é vigiada.


Praia de Almograve a praia mais perto da aldeia e, por isso, com mais gente. É vigiada.


Praia da Nossa Senhora perto da Zambujeira do Mar. O acesso faz-se por um rol infinito de escadas. Tem algumas rochas e não é grande. Não é vigiada.

No Algarve

Praia de Odeceixe o areal é infinito, o mar está repleto de surfistas. Do lado direito é banhada pela ribeira de Odeceixe, que ali desagua, formando uma piscina natural de água quente e calma. Tem bar e é vigiada.


Praia Carriagem é muito rochosa, os nossos únicos companheiros eram pescadores destemidos equilibrados nas escarpas. O acesso é feito por escadas e não é vigiada.


Castelo de Aljezur erguido no século X, foi o último castelo a ser tomado aos mouros, durante a Reconquista em 1249.


Praia da Arrifana localizada na pequena povoação piscatória da Arrifana, é de fácil acesso e bastante movimentada, mas tem um areal com mais de meio quilómetro de extensão. Tem bar e é vigiada.


Praia do Amado a praia por excelência dos surfistas. Há um miradouro muito perto, merece uma visita, chega-se até lá através dos passadiços da praia.


Land art na praia da Arrifana, Portugal

Aqui está o mapa com todos os locais mencionados no post:





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