Florença, Itália

Atualizado: 23 de set. de 2020

Há muitos anos, na Faculdade de Letras de Lisboa, enquanto estudante de História, dedicámos diversas aulas à cidade que foi berço do Renascimento italiano, onde Leonardo Da Vinci trabalhou lado a lado com Michelangelo, Rafael, Botticelli, sob o mecenato da família Medici. A minha curiosidade e expetativa só cresceu desde então.


Fui a Itália durante uma semana em março de 2019 com a minha mãe. A viagem foi preparada ao detalhe por puro prazer, porque não era necessário. Itália é daqueles países em que se nos perdermos e andarmos a vaguear por ruas paralelas, acabamos por descobrir praças cheias de vida sob calçadas romanas, igrejas medievais ao lado de simpáticos restaurantes ou pequenas lojas em palacetes renascentistas. Só se ganha em perder-se.


“One doesn't come to Italy for niceness,” was the retort; “one comes for life.”

Room with a view, E.M. Forster, 1908



O nosso pequeno hotel ficava numa rua transversal à Piazza del Duomo o que nos permitiu a flexibilidade de andar a pé o tempo todo.


O primeiro dia foi de reconhecimento da cidade. Andámos sem destino certo a captar a essência do modo de vida florentino.


Aventurámo-nos pelo Mercato di San Lorenzo, um mercado de rua enorme, com vários artigos de moda e acessórios em pele. A sabedoria dos artesãos e a qualidade do couro da Toscana são reconhecidas em todo o mundo.


O Mercato Centrale foi o destino escolhido para o nosso almoço. Situado num edifício coberto de dois pisos, está cheio de pequenas barraquinhas e restaurantes. A agitação, a energia, a massa de pizza a girar no ar, o cheiro a manjericão e molho de tomate criam um ambiente único. Não sei quanto tempo perdemos a olhar para as vitrines e para as mesas, tudo tinha um ar tão delicioso que nos fazia parar a cada dois passos. Optámos por uma pizza acabada de sair do forno de lenha, num restaurante do primeiro andar.



Com a torre do relógio do Palazzo Vecchio a orientar-nos os passos, chegámos à Piazza della Signoria.


Quando pensamos numa galeria de esculturas a céu aberto, nunca imaginamos que a qualidade das obras de arte expostas, ao frio e ao vento, à chuva e ao calor, possam ser como as desta praça. Mas em Florença é assim, as obras de arte são tão abundantes e de uma excelência tão grande, que se podem dar ao luxo de as ter na rua, acessíveis para toda a gente poder desfrutar delas. Na Loggia de' Lanzi, mesmo ao lado do Palazzo Vecchio, somos cercadas por esculturas de mármore e bronze, de uma escala monumental e impressionante realismo.


Piazza della Signoria, Florença

O dia seguinte amanheceu chuvoso, mas não nos estragou os planos porque eu queria visitar o imenso complexo museológico da Piazza del Duomo. Começámos pelo Batistério de San Giovanni, de base octogonal, com as suas portas de bronze pormenorizadamente esculpidas. A visita à Duomo di Santa Maria del Fiore foi demorada. A simplicidade do interior contrasta com a riqueza da fachada exterior coberta de mármores brancos, verdes e rosa. A relativa nudez da igreja ajusta-se à austeridade da vida religiosa, mas também muitas obras de arte estão preservadas no Museu Opera del Duomo. No museu, contam-nos a história da construção da Basílica e a importância que teve no desenvolvimento e afirmação na cidade enquanto capital das artes.


Quando o sol surgiu, subimos os 414 degraus que nos levaram ao topo do Campanário, desenhado por Giotto, e a 84m de altura podemos disfrutar de uma vista privilegiada sob a cidade.


O acesso à Cúpula ficou reservado para o dia seguinte. Estávamos a precisar de repor energias e o que é melhor do que uma das mais afamadas cozinhas do mundo para nos reconfortar?



Durante a tarde passeámos pelas margens do rio Arno, pontualmente encontrávamos esculturas, galerias de arte, gelatarias, antiquários, catedrais, lojinhas típicas e museus. Uma sucessão heterogénea de pequenos recursos que me fazem feliz.


Atravessámos o rio na sua mais antiga e famosa ponte, a Ponte Vecchio, a única que ainda conserva as pequenas lojas e casas de cada lado.



Reservámos o último dia para a subida à Cúpula da Duomo, idealizada e construída pelo mestre Filippo Brunelleschi foi terminada em 1436, 140 anos depois do início da construção da Basílica. Eu "obriguei" a minha mãe a visitarmos tudo: a entrar em cada divisão, a subir todos os degraus, a parar em frente de cada pintura e analisar cada personagem do fresco do Juízo Final representado no interior da abóbada. Ela não se importou, ficámos rendidas perante tamanha grandeza e perfeição.


É uma cidade onde se respira cultura, história, arte.


Florença superou todas as expectativas, é uma cidade onde, genuinamente, não me importava de viver.


 

Como chegar How to get there

O aeroporto de Florença fica apenas a 10 km do centro da cidade. Mas a nós compensou-nos voar para Pisa, onde passámos um dia e uma noite e fomos para Florença de comboio, a viagem custou menos de 10€ por pessoa.

Como se deslocar How to move around

A pé. Tudo é acessível a uns metros de distância e é a melhor maneira de usufruir da cidade.

Onde dormir Where to sleep

O Hotel Medici fica mesmo no centro, a 5 min da Piazza del Duomo. Tínhamos um quarto pequenino e pequeno-almoço incluído. www.hotelmediciflorence.com/portuguese/

Onde comer Where to eat

Osteria Il Gatto e la Volpe um restaurante acolhedor com pratos tipicamente italianos: massas frescas, risottos, pizzas, mas também pratos de carne e peixe. osteriadelgattoelavolpe.it/


Mercato Centrale o maior e mais antigo mercado de comida de Florença. O primeiro andar é gourmet. Aberto até à meia-noite. www.mercatocentrale.com/florence/


Ará: è Sicilia nós somos mesmo muito gulosas, fizemos uma pequena paragem nesta pastelaria para comer cannolos sicilianos. www.araesicilia.it/


Lindt desconhecia que a marca de chocolates suíços para além das lojas onde vende os bombons, também tem pastelaria. Mas assim que descobrimos este segredo, localizado mesmo na Piazza del Duomo, passou a ser o nosso local de eleição para beber um chocolate quente, comer um gelado, provar os muffins de pistacho ou partilhar um croissant. www.lindt.it/

O que visitar What to visit

Basílica Santa Maria del Fiore foi construída sobre a igreja de Santa Reparata, do século VII, que ainda se pode ver na cripta. Começou a ser construída no final do século XIII. A visita à Basílica é gratuita. A cúpula construída por Filippo Brunelleschi é a maior cúpula de tijolo do mundo. É possível comprar um bilhete único para visitar a Basílica, a cripta da igreja de Santa Reparata, o Batistério e o Museu Opera del Duomo e subir ao campanário e à cúpula. Preço: 18€. www.museumflorence.com/


Loggia de' Lanzi galeria de esculturas de arte antiga e renascentista ao ar livre na Piazza della Signoria. Curiosidade: a famosa estátua de David, de Michelangelo, aqui exposta em 1504 é, atualmente, uma réplica. A original encontra-se na Galleria dell’Accademia desde 1873.


Palazzo Vecchio começado a construir em 1299, foi terminado em 1314. O edifício foi sendo ampliado gradualmente só para este, por isso a Torre di Arnolfo de 94 m não está centrada. Entre 1540 e 1550 o palácio serviu de residência a Cosme I de Médici. Adquiriu o nome vecchio (velho) em 1565, quando a corte de Cosme I se transferiu para o novo Palazzo Pitti. Atualmente, é um museu e onde funcionam alguns escritórios da Câmara Municipal. Aberto até às 19h. www.florence-museum.com/palazzo-vecchio.php


Galleria degli Uffizi uma das galerias de arte renascentista mais prestigiadas, encontram obras de Sandro Botticelli, Caravaggio, Michelangelo e Leonardo da Vinci. Aberta até às 18.50h. www.uffizi.it/en


Ponte Vecchio é uma ponte medieval sobre o rio Arno. Desde sempre albergou pequenas lojas e bancas de mercadores. Cosme I de Médici mandou construir uma passagem secreta elevada, o Corridoio Vasariano, que liga o Palazzo Vecchio ao Palazzo Pitti. Em 1593, Ferdinando, sucessor dos Médici, achou que os produtos dos comerciantes libertavam um mau cheiro para o seu corredor, então mandou substituí-los por ourivesarias e joalharias, que ainda hoje se mantém na ponte.


Palazzo Pitti o “novo” palácio dos Medici. Foi projetado em 1458 por Filippo Brunelleschi. Está situado na margem direita do rio Arno, perto da Ponte Vecchio no bairro Oltrarno. Atualmente, é um museu.

Onde comprar Where to shop

Mercato di San Lorenzo mercado de rua, rodeia o Mercato Centrale. A tradição de trabalhar o couro é uma arte caraterística da Toscana e a sua qualidade é reconhecida em toda a Itália. Encontram carteiras, blusões, malas, cintos, mochilas de várias cores e modelos. Vale a pena regatear um pouco.


Mercato del Porcellino mercado de rua, com artigos típicos da região. É onde está a Fontana del Porcellino, uma escultura em bronze de um javali. A tradição manda colocar uma moeda na boca do javali para que caia pelo gradeamento que tem por baixo e esfregar o focinho para dar sorte. Aberto até às 18.30h. www.mercatodelporcellino.it/

 

Aqui está um mapa com todos os locais mencionados no post:




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