Quintana Roo, México

Atualizado: 11 de nov. de 2021

Há muitos anos, ainda na universidade, três amigas de longa data decidiram fazer uma grande viagem com o primeiro subsídio de férias que recebessem quando começassem a trabalhar. A viagem, no entanto, só se materializou dois subsídios depois. E não podia ter sido na melhor altura.


Deixámos a capital espanhola fria e chuvosa em novembro de 2019 e voámos para o solarengo estado de Quintana Roo na Península de Yucatán, México.


"México está como siempre, desorganizado y dado al diablo, sólo le queda la inmensa belleza de la tierra y de los indios."

Frida Kahlo


O calor sufocante e o ar abafado, que nos recebeu mal desembarcámos, acompanhou-nos até ao nosso hotel em Playa del Carmen. Meia hora de viagem e eis-nos no éden desejado, a nossa residência nos próximos dias. Era quase meia-noite e o Hotel Iberostar Paraíso Beach dissolvia-se na paisagem, entre a vegetação tropical e a brisa marítima.


Saímos pela varanda do nosso quarto com acesso direto à praia e, imediatamente, pusemos os pés descalços na areia fina, onde a única luz existente era a que a lua emitia e refletia nas ondas suaves do mar.


As 6 horas de diferença horária não nos deixaram dormir na primeira noite. A aurora surgiu com um delicado nascer-do-sol nas águas do mar das Caraíbas. Decidimos ficar no resort para aproveitar tudo o que a Riviera Maya tem de melhor para nos oferecer: a vida relaxada debaixo de uma palmeira, com uma margarita ou um mojito na mão, em que o único dilema do dia seria escolher entre praia ou piscina.


Pelo hotel abundam cuatis, uns animais amorosos, porém selvagens, que estão sempre preparados para roubar comida aos hóspedes mais distraídos. Também majestosos pavões e flamingos passeiam lado a lado pelos jardins, afirmando que aquele território é deles e nós só estamos de passagem.


Playa Paraíso; Templo de Kukulcán em Chichen Itzá; Uma família de cuatis; Parede Tzompantli em Chichen Itzá.

No dia seguinte, o despertador tocou às 4.30h da madrugada. Não nos custou muito levantar, o jet-lag ainda surtia efeito e íamos visitar uma das sete maravilhas do mundo.


Chegámos a Chichén Itzá quando o sol estendia os seus raios e iluminava o complexo arqueológico. Esta cidade em ruínas reúne vários segredos sobre a civilização maia. Tínhamos uma manhã para os tentar desvendar.


A visita foi acompanhada por um adorável guia local que assinalou todos os pormenores desta incrível e mística civilização que ocupou este lugar desde o ano 500 até ao ano 1200. A grande pirâmide que domina todo o complexo, é dedicada ao deus todo-poderoso Kukulcán, la Serpiente Emplumada, e esconde mistérios arquitetónicos, matemáticos, acústicos, astronómicos e jogos de luz e sombra.


Tanta magia e ciência num só local fez-nos perder a cabeça nas barraquinhas com réplicas de calendários e estatuetas da mitologia maia que se encontram dispersas pelo sítio arqueológico.


Casa de primeiros socorros na praia Chen Rio, ilha Cozumel; Esta praia não é vigiada; Cartazes a anunciar a escola de surf; Restaurante El Pescador.

Cozumel prometia-nos praias imensas e selvagens. Queríamos abandonar o burburinho da vida urbana e encontrar o delicioso isolamento nesta ilha.


Quando o ferry, que nos transportou desde Playa del Carmen, atracou no porto de San Miguel de Cozumel fomos bombardeadas por cartazes de anúncios para alugar carro. O Moisés, um rapaz que andava por ali a angariar clientes, levou-nos até à sua pequena loja familiar, fora do centro turístico e com preços mais acessíveis. Rabiscou num mapa onde estavam as melhores praias e deu-nos um carro muito velhinho, mas dentro do nosso orçamento. Afastámo-nos das casas baixas e coloridas e atravessámos a ilha pela única estrada que divide a selva tropical em duas metades iguais.


O restaurante El Pescador serviu de abrigo durante uns momentos em que uma chuva tropical caiu sobre nós. Aproveitámos para degustar umas iguarias mexicanas como nachos, salada pico de gallo, ceviche e tacos. O sol voltou e aproveitámos a praia mesmo ali ao lado.


Mas queríamos conhecer mais. Queríamos ainda mais isolamento. Avançámos até onde só existe mar. Parámos na praia San Martín, um postal idílico. Estava praticamente deserta, as ondas eram enormes, a corrente de água quente arrastava-nos para longe e ali perdemos a noção do tempo. Ia jurar que um peixe-espada passou por nós.


Altar do Día de los Muertos em Tulum; As ruínas de Tulum; Uma iguana camuflada nas ruínas.

Alternando as visitas com dias de descanso no resort e reservámos o mais emocionante para o último dia.


Desta vez fomos conduzidas por um guia holandês, apaixonado pelo seu trabalho, que nos levou até às ruínas de Tulum, muralla no idioma maia. Uma cidade fortificada e a única portuária que teve o seu apogeu nos séculos XIII e XV. A ocupação espanhola do México marcou o seu declínio. Com a vista paradisíaca para o mar das Caraíbas, as construções elevam-se numa falésia e resistem ao abraço das heras e do tempo. As enormes iguanas, as únicas habitantes do local, disfrutam do sol camufladas entre as rochas.


Às 10h da manhã o calor já se mostrava implacável. A água cristalina e a areia fina a metros de distância eram irresistíveis, apelámos ao guia para nos deixar dar um mergulho rápido, mas ele prometeu-nos que o melhor ainda estava para vir e que não nos podíamos atrasar. Acreditámos nele e seguimos viagem.


As diferentes tonalidades do mar na Praia San Martín, ilha Cozumel; O carro que alugámos para atravessar a ilha; Tartaruga na praia de Akumal.

O mar ganha diferentes tons de azul ao longo da curta viagem. Detivemo-nos em Akumal, lugar de tortugas, uma praia de águas totalmente transparentes e de um azul inimaginavelmente turquesa.


Com o equipamento de snorkeling na mão, afastámo-nos da praia num pequeno barco e quando estávamos em cima de corais de mil cores, saltámos para a água e mergulhámos!


Não demorámos a encontrar a primeira tartaruga, outras surgiram de seguida e acompanhámo-las nos seus afazeres. Por momentos, partilhámos o fundo marinho com peixes de todas as espécies.


Poder observar estes animais maravilhosos no seu habitat natural e disfrutar da serenidade com que se movem fascinou-me tanto, ao ponto de, entre respirações à tona da água, prometer às minhas amigas que iria tirar o curso de mergulho com o seguinte subsídio de férias.


Cenote Xibalba e as Cavernas X-Tun; O almoço na selva preparado por uma família indígena; Degustação de tequila; Hotel Iberostar Paraíso Beach.

O almoço foi servido por uma família indígena no meio da selva. Demorámos uma hora a percorrer oito quilómetros inebriados de natureza em estado puro. Uma tarântula atravessou-se no nosso caminho e, calmamente, esperámos que chegasse ao outro lado. Aqui, o respeito por todos os seres vivos comanda o ritmo de vida.


A entrada num cenote era a promessa ansiada. Durante aproximadamente uma hora, imergimos pelas entranhas da terra nadando por águas transparentes e geladas, entre verdadeiras obras de arte da natureza que desafiam a gravidade em forma de estalactites e estalagmites. Os nossos olhos adaptam-se, com dificuldade, à claridade das águas, à escuridão das grutas, arregalam-se perante tanta beleza, mais azuis caribe, mais verdes cenote.


Durante 8 dias abraçámos uma cultura tão diferente, mas tão acolhedora, e observámos fenómenos naturais até então inconcebíveis. O México reúne um património natural único e um legado cultural extraordinário, fruto das diversas civilizações que aqui habitaram. O regresso será em breve, pois ainda ficou muito por descobrir.

 

Como chegar How to get there

Nós viajámos para Cancun num voo direto desde Madrid com a companhia Evelop. Demorámos aproximadamente 11h.


Requisitos de entrada Entry Requirements

Não é exigido visto para os cidadãos portugueses, mas é necessário apresentar passaporte com validade superior a seis meses à data de entrada e o bilhete de avião de ida e regresso impresso. Para abandonar o país será cobrada no aeroporto uma taxa turística no valor de 60€.


Como se deslocar How to move around

Nós optámos por ter a viagem parcialmente organizada por uma agência de viagens, a B the Travel Brand foi a que melhor se adaptou aos nossos pedidos. Contratámos voos, hotéis e a visita a Chichen Itzá desde Madrid. Reservámos no hotel a visita a Tulum com a Ocean Tours.

Sempre que saímos para visitas organizadas, o pick-up no hotel estava incluído. Quando saímos livremente, pedimos na receção do hotel para chamar um táxi, o preço é acordado previamente para certos pontos turísticos. Do nosso hotel para Playa del Carmen pagávamos 500 pesos mexicanos. Para visitar Cozumel, alugámos um carro no España Rental’s, na avenida Benito Juarez, entre a 10ª e a 15ª avenidas.


Onde dormir Where to sleep

Há infinitos resorts com regime all-inclusive ao longo de toda a costa da Riviera Maya. Nós ficámos no Iberostar Paraíso Beach, a 20 minutos de Playa del Carmen. Rodeado de flora tropical com praia privada, piscinas, restaurantes variados, espaços de lazer, shopping, animação noturna e discoteca, tudo o que possam imaginar. Os funcionários eram muito simpáticos e atenciosos, como todo o povo mexicano. https://www.iberostar.com/pt/hoteis/riviera-maya/iberostar-paraiso-beach/

Onde comer Where to eat

Quase todas as excursões que fizemos tinham almoço incluído. Desde uma sandes de queijo e fiambre com um sumo de pacote no autocarro a regressar de Chichen Itzá ou um almoço preparado por uma família indígena no meio da selva. Diferentes excursões oferecem distintas experiências.


O nosso hotel, para além do serviço de buffet sempre disponível, tinha sete restaurantes e ao jantar alternávamos entre mexicano, mediterrâneo, gourmet, steakhouse, japonês, etc.


El Pescador em Chen Río. Durante a nossa visita a Cozumel, encontrámos este encantador restaurante com teto de palhinha à beira da praia. Havia peixe fresco e comida autêntica à nossa espera. www.facebook.com/ElPescadorMarisqueriaBar

O que visitar What to visit

Chichen Itzá é a cidade maia por excelência, foi fundada em 525 d.C. e o centro político e económico desta civilização. Ainda perduram a parede Tzompantli, com relevos de crânios esculpidos na pedra, o cenote sagrado a céu aberto, onde se faziam oferendas e sacrifícios humanos ao deus da chuva Chaac, o Templo dos Guerreiros, o campo do jogo da bola Pok Ta Pok, entre outras magnificas construções que nos permitem observar a complexidade dos seus monumentos e arquitetura e imaginar o fascinante que era esta civilização. Vale muito a pena madrugar para visitar o complexo arqueológico praticamente vazio e com tempo. Fica a 2h de carro de Playa del Carmen, no interior do Estado de Yucatán, atinge temperaturas muito elevadas a meio da manhã e as sombras são escassas.


Templo de Kukulcán a colossal pirâmide no centro da cidade de Chichen Itzá foi reconhecida como umas das novas sete maravilhas do mundo. Cada parede da pirâmide quadrada tem 91 degraus, com o degrau superior contabilizam-se 365, o correspondente aos dias do ano no calendário maia, aquele que antevia o fim do mundo 21 de dezembro de 2012. Um fenómeno fascinante que se pode observar durante os equinócios e solstícios é o provocado pelo movimento da luz solar quando incide nos degraus da parede norte. A sombra criada provoca a sensação de que um corpo de serpente descende do topo da pirâmide e termina numa duas colossais cabeças de pedra que ladeiam as escadas, representando o descenso do deus Kukulcán à terra. Outro episódio que experienciámos foi quando aplaudimos no final da visita. O eco provocado pelo nosso aplauso projetado pela pirâmide é igual ao chilrear de um quetzal, uma ave tropical sagrada para os maias com uma colorida plumagem com que reis e sacerdotes adornavam as suas roupas.


Playa del Carmen uma cidade cosmopolita à beira-mar que vive do turismo, as ruas principais estão cheias de restaurantes, bares, bandas de mariachis, lojas de souvenirs e vendedores de visitas guiadas. Mas é impensável não parar aqui por uns momentos. Na era pré-colombiana, Playa del Carmen chamava-se Xaman Há, Agua del Norte no idioma maia. Era uma pequena aldeia piscatória e o ponto de partida para a peregrinação ao santuário de Ixchel, a deusa maia da lua, na ilha de Cozumel.


Cozumel a 45 minutos em ferry de Playa del Carmen. É habitada desde o século II d.C. e chamava-se Ah-Cuzamil Peten, a Ilha das Andorinhas. Era um lugar sagrado para os maias, onde se venerava Ixchel, a deusa da fertilidade e da lua. Na costa mexicana, nem todas as praias são públicas, muitas pertencem a hotéis e resorts. Na parte sudoeste da ilha quase todas as praias são privadas, por isso é recomendado alugar um carro ou uma scooter no porto onde atraca o ferry e partir à descoberta da ilha, atravessando a única estrada que nos leva à parte sudeste. É necessário apresentar Cartão de Cidadão e Carta de Condução.


Ruínas de Tulum quilómetros de água cristalina, uma praia de areia branca, palmeiras e coqueiros rodeiam a esta antiga cidade muralhada situada no cimo de uma falésia e a única cidade maia à beira-mar. Com a conquista espanhola, a cidade foi perdendo os seus habitantes, mantendo-se em perfeito estado de preservação e, atualmente, é um importante sítio arqueológico.


Praia de Akumal é o sítio eleito pelas tartarugas marinhas para desovar entre maio e novembro. Contudo é possível observá-las durante todo o ano a nadar entre os recifes de coral. Os passeios são feitos de barco desde a praia até ao recife, depois com o equipamento de snorkeling nadamos lado a lado com estes seres mágicos. É importante reservar a visita com uma empresa responsável para que em nenhum momento se interfira com a liberdade das tartarugas e de outros animais marinhos.


Cenote Xibalba a Península de Yucatán concentra a grande maioria dos cenotes existentes no México. Estas grutas subaquáticas são uma maravilha única da geologia, permitem que a água doce fique retida formando piscinas naturais muito apetecíveis. Sagrados para a cultura maia, eram o local de contacto com o infra mundo, por isso realizavam rituais e sacrifícios humanos e depositavam valiosas oferendas no seu interior. Estas cavidades estão interligadas entre si por rios subterrâneos e são a principal fonte de água doce para as povoações. Uma das teorias sobre o que levou à extinção desta civilização é a possível contaminação dos cenotes. A sua formação é variadíssima e cada um deles é um mundo, há grutas subterrâneas, lagoas a céu aberto, com vegetação ou com estalactites e estalagmites. Nós visitámos o Cenote Xibalba e as Cavernas X-Tun com a Ocean Tours. O uso de repelente de mosquitos e protetor solar está proibido para evitar a poluição das águas.


Isla Mujeres e Isla Contoy estas duas ilhas paradísicas perto da costa de Cancun faziam parte do nosso roteiro, infelizmente não as conseguimos visitar. O ferry sai desde Cancun e demora 35 minutos. Há excursões de um dia com almoço incluído às duas ilhas. Isla Mujeres era sagrada para a civilização maia, aqui também adoravam a deusa da lua, Ixchel. Quando os espanhóis chegaram a esta ilha, no século XVI, batizaram-na de “Mujeres” devido às muitas figuras femininas de culto da deusa que aqui encontraram. Isla Contoy é um santuário para aves marinhas tropicais e espécies de peixes que habitam no recife Ixlaché, a segunda maior barreira de corais do mundo, sendo este destino ideal para fazer mergulho e snorkel. A ilha foi declarada Reserva Natural pelo governo mexicano, mantendo o seu ecossistema intacto. O acesso é limitado a 200 turistas por dia.


Onde comprar Where to shop

Chichén Itzá dentro do complexo arqueológico, dezenas de vendedores dispõem em barraquinhas artesanato local como esculturas e miniaturas dos monumentos, calendários e caveiras maias e lenços de mil cores e padrões.


Quinta Avenida é a principal avenida comercial de Playa del Carmen. Aqui encontram lojas de marcas internacionais, pequenos postos de artesanato com artigos em pele e recuerdos locais. É inevitável calcorrear esta avenida cheia de movimento e vida.

 
snorkeling na praia Akumal, México
Snorkeling na praia de Akumal.

Aqui está o mapa com todos os locais mencionados no post:



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